Tel: (31) 3383-4390
 

Alambique dos sonhos

Venda de equipamentos para produção da cachaça cresce até 30% ao ano, puxada pelos amantes da bebida

   

A fabricação de alambiques está a todo vapor. Nos últimos anos, as empresas especializadas na produção desses equipamentos de cobre indispensáveis à elaboração da cachaça artesanal têm registrado índices de crescimento anual de negócios que variam de 20% a 30%. A alta nas vendas é motivada pela expansão do interesse na cana-de-açúcar para produção de álcool e pela melhoria da economia que leva antigos amantes da cachaça a realizarem o sonho de ter sua produção própria. Os mais arrojados já começam o negócio até pensando em exportar.

Linha de montagem da D & R Alambiques, de onde saem de 10 a 15 unidades de produção de cachaça por mês.

Mas aqueles que acreditam que basta o alambique para montar uma linha de produção e chegar à cachaça engarrafada pronta para ser vendida estão muito enganados. Montar um negócio desses vai muito além do equipamento, que tem um modelo de cobre ainda como o preferido. O alambique é a peça mais importante, mas também são necessários diversos outros equipamentos.

O presidente da Associação Mineira dos produtores de Cachaça de Qualidade (Ampaq), Alexandre Wagner da Silva, observa que a produção da bebida artesanal cresce aos poucos. “É quase estável. A evolução do volume de registro de marcas na Ampaq, por exemplo, não passa dos 10% ao ano”, diz.

O presidente da Associação Mineira dos produtores de Cachaça de Qualidade (Ampaq), Alexandre Wagner da Silva, observa que a produção da bebida artesanal cresce aos poucos. É quase estável.

A evolução do volume de registro de marcas na Ampaq, por exemplo, não passa dos 10% ao ano”, diz.

Mas ele observa que muitos brasileiros estão investindo no negócio cachaça, nos últimos meses. “A bebida ganhou charme e status. E há os que ficam motivados pelas notícias de exportação, outros que acham que é um mercado virgem e pouco explorado. Esses estão comprando os alambiques e esquentando essas vendas desses equipamentos . Ms produzir cachaça não é simples e quem mais exporta são as indústrias e não os produtores artesanais”, avalia.

Para Alexandre Wagner, os novos investidores têm de apostar no negócio com mais cuidado, para não correr riscos. Ele lembra ainda que os tributos são altos e que são extensas as exigências para o registro do produto. “Só de IPI (Imposto sobre Produção Industrial) pagamos R$ 2,23 por garrafa, e governo ainda quer aumentar essa taxa”, alerta.

 

Da terra aos rótulo

Outros custos acompanham a montagem de um alambique. O produtor tem de ter desde a terra para produzir a cana até as garrafas e os rótulos para deixar a cachaça no ponto para a venda. No caso das marcas mais elaboradas, há ainda o investimento em tecnologia de ponta e marketing.

O sócio da cachaça Mingote, Tancredo Tolentino Filho, diz que têm 40 hectares de cana para a produção da bebida em Cláudio, no Centro-Oeste de Minas. Segundo ele, o custo da matéria-prima por hectare sai perto dos R$ 1.930. Ele conta que a Mingote “nasce” há oito anos. Naquela época, o investimento no alambique ficou perto de R$ 20 mil. “Mas optamos por um estrutura pequena com produção limitada para fazer a cachaça com mais capricho”, diz.

O presidente da Leblon (até então engarrafada na França e só vendida aos EUA e na Europa), Roberto Stoll, conta que acabou de comprar um alambique em Patos de Minas, no Alto Paranaíba. Ele deve desembolsar perto de US$ 3 milhões, para produzir e engarrafar no país a cachaça de nome internacional. “Tem de investir, porque o mercado exige qualidade”, diz.

Matéria publicada em  18/06/2007– JORNAL ESTADO DE MINAS
 

 

Rua dos Industriários, 1005 - Bairro Novo das Indústrias - Belo Horizonte/MG -
Telefax: (31) 3383-4390